2025 foi um ano que tive muitos altos. Fica bem fácil perceber isso quando o que eu tinha de referência era o ano anterior que deus me defenderay reproduzir. Uma coisa muito bacana foi que eu voltei a ler. Não sei exatamente quantos livros foram, mas, de cabeça, eu lembro de uns cinco. Eram muito bons, diga-se de passagem. No fim da postagem, vou tentar listar aqueles que eu lembrar.
Me sinto uma pessoa mais completa depois que adicionei a leitura ao meu cotidiano e, por isso, pensei em escrever sobre o assunto.
Notas de lavanda
O texto inicia com um breve relato sobre um período difícil da minha depressão. Se achar que pode ser um gatilho, pule para a seção que fala de fato dos livros.
***
O ano de 2024 foi péssimo para mim. Muita coisa ruim aconteceu ao longo dele e eu fiquei mal à beça. Eu acho que ali eu cheguei no fundo do poço, um fundo de poço diferente dos outros que tinha chegado em outros momentos da minha vida, mas bem complicado a ponto de ter trazido os pensamentos mais destrutivos possíveis à superfície.
Um dia, lembrei de uma frase que vi no seriado "Mom" que dizia que era um absurdo repetir as mesmas coisas e esperar resultados diferentes, ou algo assim. Decidindo que eu não iria entregar os pontos de vez, reuní a energia que me restava, e tracei uma plano para reverter a situação. Falando agora parece que foi rápido, simples e fácil, e eu vou deixar desse jeito para que você pense que foi mesmo. Não quero chafurdar nessas lembranças mais do que o indispensável.
Uma das coisas que eu pensei foi me concentrar num tempo que eu era uma pessoa mais leve e, por que não, feliz. E eu percebi que a última vez que as coisas estavam ok, eu vivia uma vida mais offline. Eu tinha um smartphone, mas usava basicamente só para WhatsApp. Eu saía de casa, via pessoas e tinha hobbies. Amava tocar ukulele, cantar, jogar video game e fazer uma meia dúzia de coisas; eu só precisava escolher alguma delas para começar a fazer minha vida voltar a ficar boa.
Tem duas coisas que eu acho as mais ferradas nessa desgraça que é ter depressão e uma delas é falta de prazer nas coisas que eu costumava amar fazer. Descobri faz poucos anos que isso tem nome e se chama anedonia. A outra coisa ferrada, eu deixo para outro momento.
Voltando à anedonia, bicho, isso esgota demais. Eu virei um zumbi e sinto que perdi pelo menos uns quatro anos da minha vida nisso. Todo dia, acordava na esperança de que eu teria vontade de fazer algo pra me distrair, mas esse dia não chegava. Vez ou nunca que dava um ânimo para começar um joguinho legal, mas eu acabava abandonando no dia seguinte. Ou até estava tão exausta que nem começava.
Lendo textos sobre anedonia e o que fazer para acabar com ela, eu vi que a vontade de fazer as coisas não viria assim do nada, que eu teria que me forçar as fazer as atividades que eu costumava gostar e, com a frequência, eu começaria a sentir o prazer em fazê-las.
Ficou claro que o que quer que eu escolhesse fazer, deveria ser fácil de começar e não impossível de manter. Escolhi a leitura. :)
Enfim, os livros
No fim de 2024, fui no ortopedista e descobri uma escoliose, fruto das longas horas fazendo contorcionismo na cadeira do computador (lembre-se de levantar e alongar para não acabar como eu).
O médico me encaminhou para dez sessões de fisioterapia e a clínica ficava há duas estações de trem da minha casa. Eu não costumo sair de casa com celular e, como acabava chegando bem mais cedo que o horário marcado para a sessão, eu levava meu kindle comigo para passar o tempo.
Naquela época, iniciei "Crime e Castigo" de Fiódor Dostoiévski e fui curtindo pra caramba a história. Todo dia de sessão, eu estava lá com minha disposição, uma legging, a ecobag de guerra e lendo meu livrinho. Chegou a um ponto que eu já associava a ida à fisioterapia com uma espiada nas aventuras de Ródia (apelido do personagem principal da história), tanto que dizia que não iria sozinha: iríamos Raskólnikov e eu (por sorte, não sou uma usurária. Sem mais spoilers.). Nas últimas sessões, já tinha mudado o nome do Kindle de Yellowbird para Raskólnikov.
Depois desse livro, a coisa engrenou. Li vários outros clássicos que estavam há séculos na minha lista. Mas o legal é que iniciei e terminei o ano de 2025 lendo Dostoiévski, respectivamente "Crime e Castigo" e "O Idiota".
O médico me encaminhou para dez sessões de fisioterapia e a clínica ficava há duas estações de trem da minha casa. Eu não costumo sair de casa com celular e, como acabava chegando bem mais cedo que o horário marcado para a sessão, eu levava meu kindle comigo para passar o tempo.
Naquela época, iniciei "Crime e Castigo" de Fiódor Dostoiévski e fui curtindo pra caramba a história. Todo dia de sessão, eu estava lá com minha disposição, uma legging, a ecobag de guerra e lendo meu livrinho. Chegou a um ponto que eu já associava a ida à fisioterapia com uma espiada nas aventuras de Ródia (apelido do personagem principal da história), tanto que dizia que não iria sozinha: iríamos Raskólnikov e eu (por sorte, não sou uma usurária. Sem mais spoilers.). Nas últimas sessões, já tinha mudado o nome do Kindle de Yellowbird para Raskólnikov.
Depois desse livro, a coisa engrenou. Li vários outros clássicos que estavam há séculos na minha lista. Mas o legal é que iniciei e terminei o ano de 2025 lendo Dostoiévski, respectivamente "Crime e Castigo" e "O Idiota".
Agora, estou dando um tempo de literatura russa e vou fechar com outras coisas. Em um próximo post, comentarei sobre as leituras de 2026.
Beleza, e agora?
Eu não sei se você vai se identificar com meu relato de alguma forma, mas eu só quero dizer que espero muito que você continue fazendo as coisas que te fazem feliz, pois elas tornam a vida muito melhor.E agora, a lista mais ou menos cronológica de leituras de 2025. Tirando "Admirável Mundo Novo", os demais livros foram inéditos para mim.
- Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Em Agosto nos Vemos (Gabriel García Márquez)
- Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)
- Caim (José Saramago)
- O Pequeno Príncipe (Antoine De Saint-Exupéry)
- Os Irmãos Karamázov (Fiódor Dostoiévski)
- O Idiota (Fiódor Dostoiévski)
Notas de lavanda
Revisando e publicando a postagem nessa terça-feira de Carnaval e ouvindo uma playlist massa demais. Deixo aqui "Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua" do Sérgio Sampaio. Eu conheci essa música na versão do Monobloco. Gosto muito de ambas.
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